As doenças cardiovasculares (DCV) continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. Dado que resultam da junção de vários fatores, cada doente deve ter o seu risco CV calculado de forma individual, pois tal cálculo ajuda não só a determinar qual a probabilidade de ter um problema CV mortal, mas também orienta as decisões terapêuticas. A obstrução das artérias do coração por placas de gordura (a doença coronária) pode manifestar-se de várias formas, desde dor no peito em esforço, até ao perigoso enfarte agudo do miocárdio e à dramática morte súbita. Os fatores de risco são bem conhecidos e potenciam-se entre si, fazendo com que pequenas elevações em vários parâmetros condicionem em conjunto um maior risco.
O tabagismo é o fator mais importante para o desenvolvimento de doença coronária e causa 50% das mortes evitáveis. Nos fumadores o risco é 60-70% superior aos dos não fumadores. O tabaco deve ser evitado em absoluto, pois não há nenhum nível de exposição que seja considerado seguro. Deixar de fumar é a medida mais eficaz para reduzir o risco de doença coronária.
Na diabetes existe excesso de açúcar no sangue. Isto acontece quando o pâncreas não produz insulina suficiente e/ou quando esta não atua eficazmente, esta última forma associada ao excesso de peso e ao sedentarismo. Esta doença necessita de ser bem controlada de forma a evitar complicações, nomeadamente cardíacas, pois estas são a principal causa de morte nos diabéticos.
Portugal tem uma realidade dramática em relação à hipertensão arterial (HTA). Metade dos doentes sabem que sofrem de HTA, mas apenas 11% a têm bem controlada. O alvo da pressão arterial é variável de pessoa para pessoa, dependendo da presença de outros fatores de risco ou doenças. Em geral, a pressão arterial deverá ser <140/90 mmHg. É fundamental um cumprimento rigoroso da medicação e uma redução do sal na alimentação.
A dislipidémia corresponde a um aumento do colesterol, dos triglicerídeos ou de ambos. A redução das gorduras na alimentação é fundamental para o seu controlo. O valor a atingir de colesterol depende do risco de cada pessoa. No muito alto risco recomenda-se um “mau colesterol” LDL <70 mg/dl; no alto risco, o valor será <100 mg/dl; no risco baixo ou moderado o alvo é <115 mg/dl. Para atingir estes níveis, muitos doentes terão de tomar medicamentos (estatinas), que são eficazes e seguros.
A obesidade ocorre quando o número de calorias ingerido é superior ao que é gasto, sendo armazenadas em gordura. Esta associa-se à diabetes, dislipidémia e HTA que, no seu conjunto, aumentam o risco de DCV. O índice de massa corporal ideal situa-se entre 20-25 kg/m2 e calcula-se dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros). A obesidade abdominal é particularmente perigosa e os valores para o perímetro da cintura devem ser <80 cm nas mulheres e <94 cm nos homens. Uma dieta pobre em gorduras saturadas e baseada no consumo de vegetais, fruta e peixe é fundamental na prevenção cardiovascular.
O risco de desenvolver DCV aumenta 50% nas pessoas que não praticam atividade física. Recomenda–se a prática de 30 minutos/5x por semana de exercício aeróbico de intensidade moderada ou 15 minutos/5x por semana de exercício de elevada intensidade. O exercício diminui a pressão arterial, os níveis de colesterol, melhora os níveis de açúcar, reduz o peso e melhora o bem-estar psicológico.
O controlo eficaz dos fatores de risco e a implementação de um estilo de vida saudável podem reduzir em 80% a incidência de DCV.